Mostrando postagens com marcador coisas da vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coisas da vida. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quando foi que nos tornamos o que a gente era?

É do tempo que se trata. Sempre insistindo e avançando em direção à nossa morte em vida. Porque ser aprisionado em vida é morrer aos poucos. Se há algo de brilhante na morte dos jovens é o futuro que poderia ser, mas não foi, não é, não será. É nesse espaço sem fim de um fim que reside toda a beleza de uma vida que poderia ter sido. A morte de um jovem não é pior que a morte de uma pessoa velha. São de vidas que se tratam. Vidas não são mensuráveis, logo não comparáveis.

Essa vida que vai sendo, que vamos levando, qual sua graça? Efêmera, e por ela tudo passa; sobretudo pessoas e suas regras. Apesar de todo esse movimento, uma previsibilidade impossível de ser realizada no passado; mas num só depois totalmente realizado dando aquele feeling de já sabia, dejavu. O ser humano é um dos seres mais previsíveis-imprevisíveis existentes. Prevísivel por ele criar com o que, a partir do que lhe é ofertado. Imprevísivel por se tratar de criação.

A brilhosidade de Revolutionary Road (Foi apenas um sonho) é reluzente. Ela e Ele se conhecem, interessam-se um pelo outro. Os passos seguintes (namorar, casar, e ter filhos) são dados por eles. Porém, a loucura da normalidade de como nossa vida vai entrando nos padrões que lhe são im-postos é elucidada por um louco que afirma que eles não eram um casal comum. Enquanto planejavam a viagem em outra cidade, Paris, que os permitiria mudar de perspectiva alguns imprevistos vão acontecendo: ela engravida, ele passa a ser reconhecido no trabalho, o que o faz desistir da viagem a Paris. A viagem acaba não acontecendo, e os eventos vão afirmando a incomunidade daquele casal. Imprevistos acontecem, mas nosso modo de lidar com o que vai nos surpreendendo em vida também é imprevísivel? Mesmo que os eventos sejam de fato colocados no concreto no futuro, nosso padrão de lidar com as coisas está sempre presente? Embaralhando os tempos, quando foi o instante que nos tornou o que somos?

Juntamente com as cartas que são dadas, ganhamos a oportunidade de jogar. Escolher os movimentos, ainda que presos à algumas convenções. Dos encontros que aconteceram em um passado ao transcorrer do tempo com suas expectativas e cobranças, demandando que digamos a que viemos. Mas, a casa noturna não é mais a mesma; mudaram os garçons, mudaram as pessoas que a frequentavam, ficou o saudosismo daquela época em que se podia chamar de minha. O bar ponto de encontro semanal fechou com previsão de uma mudança, nunca realizada. Assim e assado, conforme manda o figurino as vidas foram se fazendo. Não é do nada que nos inventamos. Não é do nada que surgimos, embora seja para o nada que iremos. Se vasculhar os arquivos do passado nos permite acessar alguns restos que nos compõem, por que não radicalizarmos e tornarmos outros que não os que somos destinados a ser?

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

É possível ser feliz sozinho? - Parte II


A experiência de reler algo escrito há um tempo atrás sempre traz um misto de constrangimento e diversão. Colocar em evidência que deixamos de ser quem éramos e ao mesmo tempo perceber que algumas coisas seguem exatamente iguais. Ter que responder a terrível pergunta se é possível ser feliz sozinho é algo que continuo me dispondo a tentar responder. Lembro que aquela pergunta vinha de uma novela que tinha como tema Wave do Tom Jobim como tema de abertura. "Vou te contar / os olhos já não podem ver / coisas que só o coração pode entender / fundamental é mesmo o amor / é impossível ser feliz sozinho." 

O texto anterior briga na verdade com o ideal de que somente uma pessoa nos completará. Encontrando-a temos nosso feliz para sempre. Podemos achar uma bobagem, uma ficção, uma invenção, mas é algo que está tão enraízado em nossa cultura e nos subjetiva sem que conseguimos ter noção disso, o que é possível de ser observado na monogamia como único modo de relação amorosa e sexual possível. Se você escapa a essa modalidade, os estranhamentos e as perguntas insistirão em te atormentar: qual seu defeito? qual a sua falha? Michel Foucault, em uma entrevista intitulada de Amizade como modo de vida, fala que as relações homossexuais podem possibilitar outro modo de se relacionar, por não estarem tão bem codificadas como as relações entre homem e mulher estão, embora existam muitos gays que querem uma relação nesses moldes tão bem estruturados. A meu ver, essa é mais uma evidência de como o amor a uma única pessoa que nos completará é tão forte. 

Anos depois, hoje, tenho outra posição: é impossível ser feliz sozinho! Logo eu tão desafeito a lógicas de pensamento que naturalizam o ser humano como um ser social, que prescinde de outros. O tempo que separa essa escrita da anterior me ensinou que o lugar do outro em nós é vital. Encontrei pessoas que alegraram e engrandeceram muito meu viver, e outras tantas que me entristeceram e fizeram-me sentir a menor das criaturas. No entanto, as dores dos desencontros são pequenas frente ao sentimento de estar solitário em uma situação, sem poder compartilhá-la. 

Somos subjetivados a acreditar que o porto seguro está somente em uma pessoa, mas, em nossos barcos, navegamos. Ancoramos em diferentes portos, de modo que podemos encontrar diferentes pessoas que nos acolham sob diferentes perspectivas. Inclusive em um relacionamento a dois que não necessariamente nos convoque a uma entrega total. "O resto é mar. É tudo que não sei contar".

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

É possível ser feliz sozinho? - Parte I

Redação escrita nos idos tempos de vestibulando, datada de 23 de abril de 2007, que tentava responder à pergunta:É possível ser feliz sozinho?

Embora sejamos educados desde a infância que precisamos encontrar uma pessoa que nos complete para sermos feliz, é possível ser feliz sozinho. Podemos comparar o ser humano a uma árvore, em que a vida amorosa é uma das raízes que a sustenta.

Juntamente com a vida amorosa, há outras raízes que sustentam a vida de um ser humano: trabalho, religião, família e amigos. Cada uma dessas raízes se complementa e propicia uma vida plena e feliz. O que acontece é que muitas pessoas dedicam-se apenas a uma dessas raízes, e, quando ocorre uma decepção por parte dela a vida dessa pessoa vai pelos ares. Se as demais raízes estão bem no momento em que uma sofrer uma crise, as outras estão firmes e fortes, compensando uma possível decepção por parte de uma raiz. Viver sozinho é possível porque a felicidade também é influenciada por outros fatores. Ainda com o exemplo da árvore, se colocarmos todo o peso dela sob uma única raiz e após isso cortamos esta, a arvore cairá. Porém se distribuirmos o peso entre todas as raízes, ao cortamos uma, as outras estarão compensando o corte. No ser humano, uma possível frustração.

Portanto, é possível ser feliz sozinho pois encontrar alguém não é sinônimo de felicidade. A felicidade é a soma de diversos fatores, dentre os quais a vida amorosa é somente um. 

sábado, 5 de março de 2011

sobre chaves e fechaduras.

Dias desses me peguei pensando nas chaves que ficam na minha estante. Desde que troquei a fechadura, elas se transformaram em um objeto sem utilidade. Mesmo assim, hesito em simplesmente jogá-las fora. No entanto, fico me perguntando sobre a utilidade delas e do espaço que elas ocupam na minha estante. O que se faz com uma chave que não tem mais utilidade?

A referência às chaves me fez pensar nas pessoas que já passaram pela minha vida, e que uma das coisas que temos em comum atualmente somente é um passado. Onde foi que a coisa desandou? Onde foi que nos desencontramos? Nada foi do jeito que já foi um dia. A única constante da vida é que estamos em constante movimento. Viver é modificar-se, e isso ocorre o tempo inteiro. Eu mudo, tu mudas, nós mudamos... Em um segundo, uma molécula rompe uma ligação, e se transforma... E um átomo encontra outro para fazer outra ligação, quem sabe até mais forte!

E o que se faz com o que se passou? Com quem passou? E quantas vezes buscamos quem éramos quando a ligação era com um átomo, e não com outro? Perguntas, perguntas... As respostas são muitas e podem variar de um extremo a outro. Talvez o que nos seja possível é criar novos sentidos para esses afetos. No caso das chaves, poderíamos pintá-las com uma outra cor, criando um artefato de decoração. Ou simplesmente jogá-las fora?

E sei que de nada adianta ficar preso às chaves sem utilidade. Para abrir novas portas, é necessário novas chaves. Para garantir a segurança, é necessário trocar a fechadura. Para avançar, tem que se abrir mão de algumas coisas. Mesmo trocando algumas chaves e fechaduras durante uma mudança, a porta daquele armário continuará sendo a mesma. Seja em uma casa, ou em outra.

domingo, 23 de janeiro de 2011

a Universidade, um lugar de passagem.

Ontem saiu o listão da nossa amada UFRGS. Semana que vem vou a uma colação de grau. Início e fim de um ciclo. Falarei do único lugar que me é possível, o meu. Entre a eira e a beira. Olho para frente e vejo caminhos possíveis. Olho para trás e vejo passos de uma caminhada.

Entrar em uma Universidade é uma das experiências mais fantásticas que podemos desfrutar. Talvez por isso tenha se instituido o trote, um rito de entrada, um batismo. No início da minha graduação, um amigo falou que uma amiga dele já formada havia dito que a faculdade vai mudar a tua vida (no caso, a vida dele). Hoje, com a possibilidade de me calcar em alguns autores, busco Foucault que nos define que a experiência é algo da qual saímos transformados. É impossível não se afetar por nada durante o curso de graduação. Pode-se entrar um, e sair outro totalmente diferente.

As experimentações: as aulas, os xérox, os restaurantes universitários, os bares, os colegas e professores, os amigos, os trabalhos, as provas, os conceitos, as festas, os porres, movimentos estudantis, bolsas de iniciação, estágios, formas de se relacionar, formas de viver... Tudo se encontrando e tecendo o que é vivido.

A faculdade marca um momento do processo que é virar "gente grande", adulto. Nela, aprendem-se técnicas a serem postas em práticas no exercício profissional. Acaba a brincadeira do colégio, e a preparação para algo que um dia irá acontecer, o vestibular. Pode-se dela perder a extrema dependência dos pais. O tempo inteiro estamos em processo de aprendizado para algo que fará a diferença em nossa vida, seja no sentido técnico, seja no sentido de utilidade pessoal (como essas coisas fossem possíveis de serem totalmente dissociadas!). Inicia-se um campo de batalha, o mercado profissional. Nossa inserção nele, como vamos lidar com ele, o que ele espera da gente, o que esperamos dele... Questões que vão nos acompanhando durante a vida.

Por isso, ser estudante universitário é viver dentro de um turbilhão de pensamentos e de sentimentos. É tudo ao mesmo tempo agora. De tão intenso, sem vírgulas. De tão intenso, vai imprimindo suas marcas em nós, na medida em que permitimos a forma como isso acontecer. Enquanto escrevia ouvia Maysa. Porém, é nas palavras da Pitty que encontro o que desejo para os universitários ingressantes, os que continuam na luta, e os egressos: pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça, use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste e VIVA!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

tempo [e espaço] que não volta.

Ontem as aulas reiniciaram. E eu me dei conta do quão mágico é estar na faculdade.
Aulas, conversas, ensino, bobagens, pesquisa, dores, extensão, desamores, conhecimentos, decepções... Amigos, colegas, professores... E sim, pessoas chatas e insuportáveis também, porque é da vida a presença delas aonde quer que formos. E é tão bom estar solteiro, se iludir e se decepcionar, ter milhões de trabalhos a fazer, ouvir sempre os mesmos discursinhos, ter colegas para dividir as angústias. E reclamar MUITO disso tudo, sabe? Que sempre tá ruim, pode piorar, que isso e que aquilo. A gente fode, mas se diverte - clichêzão, mas que se aplica a esse caso.
Não quero me formar, embora esteja correndo em um caminho oposto a essa afirmação.

No dia da formatura, faço birra e digo: Não quero mais brincar!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A ordem na teoria do caos

Assisti ao filme “O curioso caso de Benjamin Button” semana passada. Um filme muito bom, por sinal. Teve um trecho que despertou a minha atenção. Aquele no qual ele narra os acontecimentos antes de ela ser atropelada. Ele conta que, se ela tivesse feito qualquer coisa diferente, ter dado qualquer passo em falso, ter se atrasado, o desfecho seria diferente. Mas não, tudo foi como foi, uma sucessão de acontecimentos que culminou com o atropelamento dela.

É um filme, eu sei. Na ficção não faltam exemplos de desencontros que acabam mudando a vida dos personagens. Ele estava carente, e decidiu ligar pra ela, que estava num encontro, a fim de superar ele. Ela não atendeu, ele procurou outra e assim vão indo os capítulos até o (mal)dito happy end.

E a vida real? Será que a vida imita a arte? Vivemos a teoria do caos e o bater de nossas asas provoca um tufão do outro lado do mundo? Será que é necessário ir até o outro lado do mundo para sentir tal tufão? Provavelmente, não. Cada ato gera uma conseqüência. Um fato está encadeado no outro, o que faz com que a única ordem existente é que tudo é uma simples bagunça.

Só paramos para pensar na dimensão de nossos atos, quando cometemos um erro. E se eu tivesse feito assim, e se eu tivesse feito assado... Se as coisas sempre dão certo, nunca paramos para pensar, sempre continuamos caminhando, seguindo e indo em frente.

Restringindo para uma dimensão bem detalhada, a vida é a teoria do caos. Cada bater de asas, um tufão. A questão é que não somos borboletas isoladas, existem várias batendo ao mesmo tempo. Se uma sozinha já gerava um tufão, imagine várias. Cuide-se com ciclones, tornados, furacões...

publicado originalmente no chiclé clichê em 13/08/09.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

os jogos que jogamos.


Quando crianças, para ocupar nosso tempo e como uma necessidade, brincamos. O brincar é uma primeira socialização com outras pessoas. Uma de suas modalidades são os jogos. Existem os mais variados e para os mais diversos gostos. Para quem precisa do contato físico, Twister. Para quem gosta de bolar estratégias, xadrez e afins. Para quem gosta de exibicionismo, não faltam jogos de montar roupas nas bonecas, e afins. Enfim, existem os mais diversos jogos que variam conforme o gosto de cada um. Porém, para que um jogo seja jogado é necessário a presença de duas ou mais pessoas, que estejam afim de brincar da mesma coisa.

O menino quer brincar de lutinha, mas a menina não está afim. A menina quer brincar de casinha, e convoca o menino para ser o 'homem' da casa. O menino encontra outro menino para brincar de lutinha, ou bate na menina. A menina brinca de casinha com outras meninas, fingindo estar sozinha porque o marido saiu de casa para trabalhar, mas que troca dicas de dona-de-casa com outras meninas [Sei que isso toca na questão do gênero, e eu estou extremamente sendo clichê, mas esse tema é discussão para outros post's.]

Crescemos, e descobrimos o jogo das relações, mais precisamente das relações amorosas. Para que um relacionamento vingue é preciso que as duas pessoas estejam afim do mesmo objetivo. Ou que haja um encaixe entre as diferentes formas de existir. Se isso não acontecer, bem, no hay relación. Algumas relações podem nos parecer estranhas, mas funcionam à sua maneira.

Por exemplo, existem mulheres que são vítimas de seus conjuguês e mesmo assim preferem ficar com eles. Se um terceiro interferir nessa relação, ela muda de configuração e pode até findar. Há ainda aquele relacionamento que se pauta em cima da assertiva "vou me matar, se você me deixar". Um lugar de impossibilidade de término é criado, que pode ou não ser ocupado pela pessoa a quem isso é destinado. A questão que me proponho a colocar é que por mais estranhamentos que essa frase possa causar é nisso que o relacionamento se baseia, caso ele vingue e ganhe vida. Outro exemplo possível são aqueles relacionamentos em que para segurar o homem, a mulher engravida. Como se esse fato fosse determinante da relação. Há casais que vivem muito bem, quase se matando entre quatro paredes, mas aparentando uma imagem perfeita e idealizada fora destas paredes. E é isso que os faz ficarem juntos.

Tal qual nos jogos infantis, é necessário que as pessoas estejam disponíveis para a mesma finalidade, que é construída por elas, enquanto configuração do relacionamento. Por mais que ao nossos olhos a relação seja impactante, como nos casos em que a relação se pauta em violência, se esse é o funcionamento que eles têm, não adianta querer modificá-lo, pois inclusive corremos o risco de terminarmos a relação, ainda que isso seja necessário quando há risco de vida ou outra questão que possa prejudicar alguém.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coadjuvantes

Dizem que a arte imita a vida. E a recíproca também é verdadeira. Seja em filmes, seriados, novelas, sempre existem as personagens coadjuvantes. Aqueles cuja função é desempenhar um pequeno papel para impulsionar a história principal. É aquela personagem que entra para fazer uma maldade. É aquele bandido que entra para roubar a mocinha de seu amor. É aquela vaca que separa os dois pombinhos, antes do gran finale. E eu perderia uma eternidade descrevendo os diversos tipos de pessoas que entram, desempenham sua função e vão embora (e que nos irritam na maioria das vezes pelo fato de serem simplesmente tapa buracos).

Será que a vida imita a arte também nesse sentido? Diversas pessoas entram na nossa vida, fazem uma atuação coadjuvante e depois continuam a vida delas, que muitas vezes não significa virar um dos protagonistas da nossa história. Aquela história de carma é verdadeira? Era preciso que fosse só uma noite? Era preciso que aquele canalha entrasse na tua vida, te fizesse sofrer, magoasse e depois partir sem menos um adeus? Era preciso que tu gastasse toda aquela grana pagando bebidas para aquela pirigueti, que só queria saber de curtir a noite a tuas custas?

Às vezes, desejamos que as coisas deem certo, sejam eternas, e durem pra sempre. Talvez era preciso se machucar com um qualquer para depois curtir o verdadeiro amor. Talvez era necessário pagar bebidas para uma pirigueti para depois saber que podia se pagar um belo jantar a luz de velas com uma pessoa que realmente valha a pena. Foi preciso que ele entrasse na tua vida, te machucasse para tu aprender a não te entregar tão fácil? A ir devagar e saber que cada coisa tem seu tempo. Aprendida a lição, não cometes mais o mesmo erro... Lendo isso, parece fácil e soa tão bonito, mas na prática, na vida real, dói, machuca e angustia. Decepções não matam, mas ensinam a viver – é um clichê, mas só virou clichê, porque para virar clichê, tem que dar certo. Sofremos com as perdas, as faltas, os machucados. Porém, é isso que faz o mundo girar. Nem só de finais felizes a vida é feita. Talvez os coadjuvantes entrem em nossa vida para nos ensinar alguma coisa, antes de sermos felizes com os protagonistas de nossa historia.

[publicado originalmente no chiclé clichê em 07/09/09.]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ai, se eu tivesse!

Ai, se eu tivesse ouvido meus pais e não investisse nesse projeto. Agora eu não estaria cheio de dividas. Se eu fizesse o que eles recomendaram, talvez eu estaria rico.
Ai, se eu tivesse aceitado aquela proposta para trabalhar em outra cidade... Sair da casa dos pais é uma barra, mas eu acho que aguentaria. Não tenho um emprego ruim, mas não tenho perspectiva de crescimento profissional.
Ai, se eu tivesse ligado para ele, explicado o que me incomoda nele. Talvez a gente tivesse começado um relacionamento. Mas não, simplesmente não mandei mais noticias. Foi melhor assim. Será?
Ai, se eu tivesse engolido os defeitos dela. Hoje a gente estaria namorando. Quem sabe até casados, planejando comprar a nossa casa e ter filhos.
Ai, se eu tivesse feito meu doutorado no exterior. Maldita a hora em que tenho um marido e uma casa para cuidar. Se eu tivesse ido, hoje as minhas oportunidades profissionais seriam maiores e melhores.

A vida é feita de escolhas. Escolhemos e pagamos pelo preço do que escolhemos. Ao escolher fazer doutorado no exterior, a mulher poderia ter abandonado e quem sabe até arruinado um casamento que se consolidava mais a cada dia que passava. Ela poderia ter um titulo, mas poderia ficar solteira novamente. Qual a melhor opção? O que ela devia ter feito? Não existe melhor escolha. Cada escolha é única, as conseqüências idem. Se ela fizesse de um jeito, o desfecho seria condizente com sua escolha. Se ela fizesse de outro, idem.

Aí entra em questão os se da vida. Se eu tivesse feito assim e feito assado. Quando algo dá errado, o se aparece como possibilidade para pensar em um caminho diferente do real. Tarefa desgastante essa. Ficar pensando em um resultado diferente é ficar se culpando pelo resultado real. É ficar se autocondenando.

Se eu tivesse feito assado, não daria errado como deu assim. O erro deixa de ser erro, passando a ser aprendizado quando extraímos o ensinamento do fato ocorrido. Se eu não tivesse feito assado, eu não teria adquirido experiência por contra própria. Por mais que os outros digam, nos dando a teoria, a gente sempre aprende na prática, quebrando a cara.

[publicado originalmente no chiclê clichê em 12/03/09.]

[Des]Gostos em comum

Para qualquer tipo de relacionamento entre pessoas exista é necessário que ambas as partes tenham algo para compartilharem. Há quem diga que todos os seres humanos têm algo em comum. Ou seja, é possível começar uma relação, seja qual for a espécie, com qualquer pessoa que esteja próxima.

No entanto, quando eu vejo alguém falando de algo que eu também não gosto me traz uma sensação de alívio. Meu complexo de culpa por não gostar de determinada coisa ou pessoa se esvai na hora. Por mais que não possamos gostar de tudo, às vezes, achamos que o problema é só com a gente por não gostarmos disso ou daquilo. Então, aparece alguém com um desgosto em comum. O funcionamento do desgosto em comum, na verdade, é o mesmo do gosto em comum. Os dois são regidos pelo “em comum”. Apesar disso, o desgosto tem algo a mais: a extinção de um complexo de culpa por sentir que somente eu não gosto de tal coisa.

Outra situação reconfortante é quando encontramos uma pessoa na mesma situação em que nos encontramos. Saber que há outras pessoas com o mesmo problema, ameniza a intensidade do nosso. Talvez é por isso que às vezes compartilhamos nossos anseios, dúvidas e medos. Nessas horas vemos que não estamos sozinhos com nossas neuras e dúvidas. Além de ser em grupo que achamos, às vezes, uma solução para estas.

publicado originalmente no chiclé clichê, em 07/09/08.

sábado, 13 de março de 2010

O que nos define?

Currículo foi uma forma que encontramos para dizer quem somos, o que fizemos, e nossos prováveis interesses. Fazemos cursos, vamos a congressos, apresentamos trabalhos, entre tantas outras coisas que são passíveis de acrescentarem uma linha naquela folhinha mágica, que pode virar páginas e páginas, intermináveis...

Histórico escolar é outra coisa que é requisitada algumas vezes. Quanto maior o numero de conceitos A, melhor?! A questão é o quanto que aquele A realmente significa o que ele realmente é? E o que aquele C, que ninguém quer, realmente transmite? Aluno que não se envolveu com a cadeira, professor indisposto a de fato ensinar, falha na relação professor-aluno, problemas na vida pessoal no dia da avaliação, entre tantas outras coisas que o histórico escolar não revela. Ele somente revela um conceito obtido pelo aluno, enquanto ele teve uma vida inteira para dar conta.

Certamente que currículos, históricos, perfis em redes sociais dizem muito de nós. Não tem como negar isso. O problema é que as margens desses papéis estão bem definidas. O formulário dá espaço para poucas coisas. Tem muita coisa que fica dita pelo não dito. Há tantas coisas que ficam nas entrelinhas. E ninguém está interessado, muito menos quer saber, o que há nessas entrelinhas. E assim vamos delineando as margens que dizem quem somos...

A propósito, quem somos nós? Como a gente é o que a gente é? Nossos gostos, escolhas, currículos, estilos de vida nos definem? A complexidade faz parte da natureza humana e não há como negar esse fato. Gostar de sertanejo significa que eu sou uma má pessoa? Dançar funk e pagode é sinônimo de falta de classe? Ser de esquerda é melhor que ser de direita? Ser assim é melhor que ser assado? O que nos faz ser melhor um que os outros? As titulações? Quem dera! Existe tanta gente sem títulos, mas que vale por muita gente muito bem graduada por aí.

Julias, Joãos, Marias, Pedros, Paulos... Pessoas que sabem valorizar a vida, simplesmente vivendo. Não caindo numa busca desenfreada por títulos, o que cá entre nós é bastante angustiante. Ficar o tempo inteiro procurando por mais e mais ostentações só gera cansaço. Faz mal pro ego ficar numa busca incansável por algo que nunca será encontrado. Afinal, quando se alcança um objetivo, logo vem outra meta para ser alcançada. E o processo todo é recorrente.

Bom mesmo é se dar conta da imensidão que somos. O preço da liberdade que temos em ser o que a gente quiser ser. Um adulto que gosta de quadrinhos, não te impede de ser um bom namorado. Uma mulher que coleciona bonecas não te impede de ser uma boa mãe. Gostar de alguém do mesmo sexo não te impede de ser um bom filho. Ter falhas não te impede de ser uma pessoa de sucesso. Existem várias maneiras de ser e estar no mundo. Descubra a sua, nunca esquecendo de se divertir sempre.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A arte do apego.

Não me lembro quando foi que conheci a dita arte do desapego. Quando isso aconteceu, achei simplesmente demais. Talvez tenha sido numa comunidade do orkut, ou em um ppt que dizia que era preciso se livrar de certas coisas para ceder espaço para que coisas novas entrem na nossa vida. Isso é um tanto óbvio, mas nem por isso é preciso sair jogando todas as tuas coisas fora, não? Muito menos não se apegar às pessoas.

Atualmente vivemos em era totalmente virtualizada, e isso atravessa diretamente a forma como nos relacionamos - vide toda a infinidade de redes sociais existentes. Para iniciar uma relação, adicionar. Para terminar, deletar. Tudo é rápido, instantâneo e mutável.

Além disso, as possibilidades para mudança são infinitas. Imagine você estar em uma festa e ter que desperdiçar aquela mina porque a patroa está ao lado? O ideal seria estar solteiro disponível para o que der e vier. Na tentativa de querer ter todas as possibilidades, acabamos criando a arte do desapego. Com isso, acabamos deixando de estabelecer vínculos um tanto mais profundos.

Tememos esses vínculos porque aprendemos a não perder. Tudo tem que render lucros, prazeres e histórias para serem contadas. Por mais que todos nossos afetos um dia partirão, seja lá qual a forma. Desde por livre espontânea vontade até a forma mais bruta de perder alguém que é a morte. Com medo de um dia sofrer, acabamos optando por deixar todos livres e nos mantermos livres. Todo mundo em constante movimento. A direção não interessa. O importante é o estar no constante ir-e-vir.

Então a nossa vida acaba carecendo de um sentido que são dados por nossos afetos. Por mais decepções que eles possam a vir nos causar, também haverão alegrias. Por mais altos e baixos que ocorram por conta deles, uma vida totalmente linear algumas vezes perde a graça. Apegue-se à tua família, mesmo que ela faça certas cobranças pensando no que ela acha melhor para ti, mesmo que tu saibas o que é melhor para ti. Apegue-se aos teus amigos, apesar de todas as possíveis divergências. Apegue-se àquela paixão, que realmente valha a pena, e transforme-a em amor. Apegue-se, viva, chore, ria. Não é porque o final é triste que o filme não valeu a pena. Perca o medo também, nem sempre o final é triste.

Sim, algumas das idéias defendidas aqui são um reflexo de algumas leituras do Bauman. (:

sexta-feira, 5 de março de 2010

viciados em drama.

“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.” Clarice Lispector
Esses dias fui tomado de uma reflexão, e cheguei a conclusão de que gosto de histórias com final triste. Sabe aqueles dramalhões que no final ninguém fica com ninguém, tudo dá errado, e por aí vai? Depois de chegarmos à conclusão de que Felizes Para Sempre não existe, achamos que essas histórias opostas ao happy ending é que são veriditicas. No fundo, felizes para sempre não existe, mas que infelizes para sempre também não. A felicidade é uma questão de instantes. Hora sim, hora não.

Porém, quantas vezes estamos a um passo de nos proporcionarmos um momento de alegria, e recuamos. Pode ser que nem nos damos conta desse sabotamento, mas ele acontece. Seria um instinto masoquista? Para que ser feliz, se eu posso sofrer? Herança do cristianismo que nos diz que sofrendo nessa vida, teremos o paraíso? Não sei, mas sem se dar conta, a gente vai lá. Melhor a gente não vai lá, porque chegar lá é sinônimo de ser feliz.

Recordo de uma cena de Desperate Housewives, em que Susan Mayer percorre uma trilha à procura de Mike Delfino. A mulher que a acompanhava disse a ela uma singela frase: “Você não saber ser feliz. Você é uma viciada em drama. Quando não há drama, você o cria. [...] Porque você não sabe como somente ser feliz.”

E porque somente ser feliz? É tão mais cômodo ser infeliz, ficar sofrendo e se remoendo. Choveriam exemplos de pessoas que se sabotam, e adiam momentos que tragam satisfação. É aquela menina sonhadora com um amor eterno e verdadeiro, mas que decide sair com um homem que logo de cara fala que é galinha. É aquele pai de família que pretende passar mais momentos com a família, o que lhe traz alegria, mas que vive pegando mais e mais trabalho para fazer. É aquele bônus que veio no fim do mês, e poderia dar mais conforto para a casa, mas vai direto para a poupança, como se nunca tivesse existido.

Às vezes, nos sabotamos sem se darmos conta. Pensamos de um jeito, agimos da maneira oposta. Talvez essa seja a forma de continuar na batalha. Se a batalha chegar ao fim, a guerra termina, saímos vitoriosos e agraciados com todos méritos. Talvez ficar sofrendo seja uma forma que encontramos de nos manter jogando. A questão é que a gente não é feliz, mas sim está feliz. Ou seja, por mais que adiamos um momento feliz agora, não seremos felizes para todo e sempre.
E se, de repente, a gente não sentisse a dor que a gente finge e sente? (Chico Buarque)
Como ser SÓ feliz? Sem criar dramas? Às vezes, a dor é tão prazerosa. E tudo o que dá prazer pode ser viciante, e aí começam os problemas. Ninguém nasceu pra ser mártir, muito menos para sofrer, ainda que existam alguns ensinamentos totalmente necessários de ser aprendidos e o único sentimento capaz de ensinar é a dor. Porém, da mesma maneira que felizes para sempre é uma utopia, sofrer sempre também é um martírio. Permitir-se! Dar-se o direito! De só ser feliz, e agora!

segunda-feira, 1 de março de 2010

aos poucos, ele vem chegando.


A primeira mudança começa com um ato quase nacional. O ajuste de relógios para o fim do horário de verão. Gesto simples, mas que já nos avisa que vai começar a escurecer uma hora mais cedo. Depois disso, a terra e o sol girando, girando e girando vão fazendo com que os dias se tornem cada vez mais curtos. Tu começas a reparar esse fato ao notar a partir da entrada do sol matinal no teu quarto que já não é mais na mesma direção que vinha sendo até então.

Junto com isso, começa a vir o frio. Foi semana passada que alteramos o horário. Foi semana passada que fomos agraciados com uma frente fria que veio da Argentina. O calorão deu uma amenizada. Não que não seja mais calor. Ainda é, mas dá para usar uma calça tranqüilamente. Sem medo de suar.

E a janela, sempre aberta para não sufocar entre tanto calor? Agora ela permite a entrada daquele ventinho que convoca o uso de um edredom, já que falta alguém próximo para abraçar e esquentar e dar o carinho de que tanto prescindimos. Ou que tanto queremos. E todas essa sensações com a chegada do frio misturam-se com uma nostalgia. Daquele rolo que poderia ter sido, mas não foi. O número ainda está lá na agenda; o recado, na página do Orkut; e a mensagem ficou para ser deletada, mas. O fantasma preenche mais que a pessoa que estava ao seu lado até ontem. E olha que cronologicamente esse ontem faz muito tempo que passou.

Na falta de alguém, vasculhamos nossos armários em busca de um casaquinho. Ou não, ficamos assim mesmo, vivenciando um friozinho amigo. Porque sentir o frio desse jeito não tem preço, mesmo que segundos depois venha uma série de espirros. Como se quisessem avisar “te agasalha, se não vem gripe”. Dane-se, não perco esse calor com vento fresco por nada.

A temperatura beira a um ideal, nem muito quente, nem muito frio. Mas que vai se tornar um frio que castiga. Enquanto o forte dele não chega, começamos as trocas. As bermudas pelas calças. Só camiseta por moleton, casaco, cachecol. Os sucos e frutas por brigadeiros e carboidratos. O champagne pelo vinho. A boate de todo final de semana por um programa mais reservado em casa. O caso rápido e festeiro do verão para uma troca de telefonemas que pode vir a ser. Outra noite, um cinema, uma transa, um affair.

E seguimos em frente, porque viver é isso. Depois do outono, vem o inverno. Reclusos, com nossos medos e fantasmas, hibernamos, fugindo do frio e dos perigos desse mundo. Um dia chega a primavera e começa tudo de novo. Porque a vida é dessas: cíclica!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Das coisas que eu não entendo.

Infelizmente, sou do tipo que assiste a filmes, um (se não dois ou mais) anos depois do seu lançamento. A questão é que assisti Marley e Eu. O filme, como provavelmente todos devem saber, conta a história de um casal, que depois vira família, e as peripécias de seu cachorro. Em todos momentos da vida deles, o cachorro estava lá. Seja quando as pessoas estavam tristes, seja quando elas se irritavam por causa do cachorro que não tinha um temperamento lá muito fácil.

Saindo dos detalhes da história, e chegando a uma das questões do filme: o amor. Esse sentimento incondicional por outrem. Nesse caso, um cachorro. Dá para se afirmar que é a coisa mais natural do mundo ter um animal de estimação. Eles nos recebem quando chegamos em casa, nos dão carinho (da forma deles, é claro), não brigam, não contestam nossas opiniões e vão estar do nosso lado o tempo inteiro. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Não sei, nunca tive um. O máximo que tive de cachorros foi um trauma, que não vem ao caso.

Os sentimentos que nutrimos pelos animais de estimação às vezes supera os que temos por seres humanos. Seres vis, que vira e mexe nos decepcionam. Que depois de anos de dedicação, vão embora. Que terminam uma relação, pela qual tu batalhaste por anos. Que dizem, e depois desdizem. Que fazem tantas coisas. Esse amor excessivo pelos animais me é chocante, e ao mesmo tempo é tão do humano. Quando penso que tem muita pessoa perdida por aí que está em péssimas condições, sem ter um prato de arroz para comer, enquanto muitos animais são tratados com frutas e outras tantas regalias. Quanta gente sem ter o que vestir, e aquele poodle com um modelito exclusivo. Definitivamente, não dá para explicar. Sentimentos não se traduzem em palavras, simplesmente são sentidos. E são uma coisa louca, insana. É óbvio dizer, mas as emoções são totalmente sem razão.

Vão me apedrejar e dizer: tu falas isso, por não ter animais de estimação. Talvez sim, talvez não. Apesar de tantas bárbaries que o humano cometa, eu tento não perder a fé nele. Nem sempre é viável, mas a gente tenta. Tenta porque é humano também.

sábado, 2 de janeiro de 2010

No fim, tudo dá certo

Em momentos difíceis, de muita luta e batalha pelos objetivos que pretendemos alcançar, a clássica frase sempre é proferida: tudo dá certo no fim; se ainda não deu, é porque não chegamos no fim. A frase dita, reconforta. Cai como remédio para aquela constante dor que carregamos. Desiludidos, necessitamos dessa frase para ganhar força e seguir em frente.

Seguir em frente é chegar no fim. Até que não dá certo, não paramos de tentar. Até não dar certo, não cessa nossa batalha. Durante o processo de chegar ao topo da montanha, muitas vezes nos resta o desânimo, já que temos a sensação de não sairmos do nível do mar.

Chegamos no alto da montanha, bingo! Sua felicidade está garantida. Tudo deu certo, chegamos ao fim. Porém, a vida é cíclica. A cada fim, um novo começo. Ao chegarmos no topo da montanha, somos agraciados com novas visões. Novos caminhos são vistos, novos planos são traçados.

A real mesmo é que a vida é cíclica. O fim de um ciclo é o início de outro. Chegar no fim de cada etapa é o que move nosso viver. Isso me lembra os contos de fadas, em que somos fadados a acreditar que um dia seremos felizes. Essas fantasias que servem para levarmos a vida em frente, mas que no fundo mesmo só nos fazem sofrer. Felizes para sempre... Para uma solteira, indefesa, desejante de um amor que a salvará, é obvio que casar com o príncipe encantando é ser feliz para sempre. Tendo essa pobre menina desencalhado, bingo, sua felicidade é infinita.

Entretanto, lá vem a vida, nos mostrando a batalha diária, que é manter um casamento, respeitar o outro, a nossa relação com ele, exigir seu espaço, fazer concessões... Tarefinhas nada fáceis para um feliz para sempre. No entanto, isso faz parte da vida. E a vida não para. Dessa forma, a cada conquista, desapontam novas possibilidades em nosso horizonte. O único fim que cessa esse processo é a morte.

_______

Aproveitando o cíclico da vida, decido começar mais um blog com o início de mais um ano.