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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

É possível ser feliz sozinho? - Parte I

Redação escrita nos idos tempos de vestibulando, datada de 23 de abril de 2007, que tentava responder à pergunta:É possível ser feliz sozinho?

Embora sejamos educados desde a infância que precisamos encontrar uma pessoa que nos complete para sermos feliz, é possível ser feliz sozinho. Podemos comparar o ser humano a uma árvore, em que a vida amorosa é uma das raízes que a sustenta.

Juntamente com a vida amorosa, há outras raízes que sustentam a vida de um ser humano: trabalho, religião, família e amigos. Cada uma dessas raízes se complementa e propicia uma vida plena e feliz. O que acontece é que muitas pessoas dedicam-se apenas a uma dessas raízes, e, quando ocorre uma decepção por parte dela a vida dessa pessoa vai pelos ares. Se as demais raízes estão bem no momento em que uma sofrer uma crise, as outras estão firmes e fortes, compensando uma possível decepção por parte de uma raiz. Viver sozinho é possível porque a felicidade também é influenciada por outros fatores. Ainda com o exemplo da árvore, se colocarmos todo o peso dela sob uma única raiz e após isso cortamos esta, a arvore cairá. Porém se distribuirmos o peso entre todas as raízes, ao cortamos uma, as outras estarão compensando o corte. No ser humano, uma possível frustração.

Portanto, é possível ser feliz sozinho pois encontrar alguém não é sinônimo de felicidade. A felicidade é a soma de diversos fatores, dentre os quais a vida amorosa é somente um. 

sábado, 3 de julho de 2010

sobre o coração e suas fases.

para ouvir lendo: gossip - love long distance.



Sim, de novo. Sobre amor, porque é assim que sou. É isso que busco, é disso que prescindo, e foi assim que me constitui. Sou um tolo em se tratando de amor. Quando acho que sei algo, surge uma situação nova e diferente que me faz questionar tudo até então. O mais engraçado é que por mais que eu fale, fale, fale, e me perca falando, não tem nada que dê conta do que é sentido. E reluto, me repenso, me questiono, e vou produzindo minha vida.

Não tenho pretensão de relações casuais. Porque elas não existem. Toda relação me causa, desde felicidade até irritações. Quanto a primeira, não existe concepção, somente sentimento. Não há palavras para descrever, e se existissem, eu não as queria. Sentir é melhor.

E as irritações? Quando o bom desanda, demasiadas! Frente a frustração, num primeiro momento, a necessidade de auto-afirmação, que varia conforme cada pessoa, surge e nos faz berrar. Necessidade sim, afinal, perdemos, sei lá o quê, mas perdemos. Magoados, recusamos a dar a chance para outras pessoas entrarem na nossa vida. Com medo de uma nova possível decepção, aumentamos todos os requisitos para que uma pessoa se aproxime, criando paredes que nada mais são que critérios de seletividade bem rígido. Isso, no final das contas, nos seleciona a ficar só. E precisamos, algumas vezes.

Então, passamos a conviver com a nossa solidão, que por ora nos assusta, e por ora nos vai dizer o quão bom é estar com outra(s) pessoa(s). Como um processo natural, deixamos de caminhar olhando para baixo, e começamos a olhar para os lados. Desejamos, procuramos, nos perdemos, encontramos, somos encontrados... Vem o desejo e talvez o afeto brote e vire uma história e começa todo aquele processo de sentir coisas boas, desejo de estar ao lado de que nos faz bem, e tantos outros desejos, carnais ou não.

E o ciclo pode se reiniciar ou não. Por mais que tentamos dar uma lógica, humanos não seguem etapas cronologicamente, e as experienciam de diferentes formas.

Não sei em que etapa do processo me encontro. Talvez me encontre em processo de transição. Assim espero e assim quero.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

os jogos que jogamos.


Quando crianças, para ocupar nosso tempo e como uma necessidade, brincamos. O brincar é uma primeira socialização com outras pessoas. Uma de suas modalidades são os jogos. Existem os mais variados e para os mais diversos gostos. Para quem precisa do contato físico, Twister. Para quem gosta de bolar estratégias, xadrez e afins. Para quem gosta de exibicionismo, não faltam jogos de montar roupas nas bonecas, e afins. Enfim, existem os mais diversos jogos que variam conforme o gosto de cada um. Porém, para que um jogo seja jogado é necessário a presença de duas ou mais pessoas, que estejam afim de brincar da mesma coisa.

O menino quer brincar de lutinha, mas a menina não está afim. A menina quer brincar de casinha, e convoca o menino para ser o 'homem' da casa. O menino encontra outro menino para brincar de lutinha, ou bate na menina. A menina brinca de casinha com outras meninas, fingindo estar sozinha porque o marido saiu de casa para trabalhar, mas que troca dicas de dona-de-casa com outras meninas [Sei que isso toca na questão do gênero, e eu estou extremamente sendo clichê, mas esse tema é discussão para outros post's.]

Crescemos, e descobrimos o jogo das relações, mais precisamente das relações amorosas. Para que um relacionamento vingue é preciso que as duas pessoas estejam afim do mesmo objetivo. Ou que haja um encaixe entre as diferentes formas de existir. Se isso não acontecer, bem, no hay relación. Algumas relações podem nos parecer estranhas, mas funcionam à sua maneira.

Por exemplo, existem mulheres que são vítimas de seus conjuguês e mesmo assim preferem ficar com eles. Se um terceiro interferir nessa relação, ela muda de configuração e pode até findar. Há ainda aquele relacionamento que se pauta em cima da assertiva "vou me matar, se você me deixar". Um lugar de impossibilidade de término é criado, que pode ou não ser ocupado pela pessoa a quem isso é destinado. A questão que me proponho a colocar é que por mais estranhamentos que essa frase possa causar é nisso que o relacionamento se baseia, caso ele vingue e ganhe vida. Outro exemplo possível são aqueles relacionamentos em que para segurar o homem, a mulher engravida. Como se esse fato fosse determinante da relação. Há casais que vivem muito bem, quase se matando entre quatro paredes, mas aparentando uma imagem perfeita e idealizada fora destas paredes. E é isso que os faz ficarem juntos.

Tal qual nos jogos infantis, é necessário que as pessoas estejam disponíveis para a mesma finalidade, que é construída por elas, enquanto configuração do relacionamento. Por mais que ao nossos olhos a relação seja impactante, como nos casos em que a relação se pauta em violência, se esse é o funcionamento que eles têm, não adianta querer modificá-lo, pois inclusive corremos o risco de terminarmos a relação, ainda que isso seja necessário quando há risco de vida ou outra questão que possa prejudicar alguém.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coadjuvantes

Dizem que a arte imita a vida. E a recíproca também é verdadeira. Seja em filmes, seriados, novelas, sempre existem as personagens coadjuvantes. Aqueles cuja função é desempenhar um pequeno papel para impulsionar a história principal. É aquela personagem que entra para fazer uma maldade. É aquele bandido que entra para roubar a mocinha de seu amor. É aquela vaca que separa os dois pombinhos, antes do gran finale. E eu perderia uma eternidade descrevendo os diversos tipos de pessoas que entram, desempenham sua função e vão embora (e que nos irritam na maioria das vezes pelo fato de serem simplesmente tapa buracos).

Será que a vida imita a arte também nesse sentido? Diversas pessoas entram na nossa vida, fazem uma atuação coadjuvante e depois continuam a vida delas, que muitas vezes não significa virar um dos protagonistas da nossa história. Aquela história de carma é verdadeira? Era preciso que fosse só uma noite? Era preciso que aquele canalha entrasse na tua vida, te fizesse sofrer, magoasse e depois partir sem menos um adeus? Era preciso que tu gastasse toda aquela grana pagando bebidas para aquela pirigueti, que só queria saber de curtir a noite a tuas custas?

Às vezes, desejamos que as coisas deem certo, sejam eternas, e durem pra sempre. Talvez era preciso se machucar com um qualquer para depois curtir o verdadeiro amor. Talvez era necessário pagar bebidas para uma pirigueti para depois saber que podia se pagar um belo jantar a luz de velas com uma pessoa que realmente valha a pena. Foi preciso que ele entrasse na tua vida, te machucasse para tu aprender a não te entregar tão fácil? A ir devagar e saber que cada coisa tem seu tempo. Aprendida a lição, não cometes mais o mesmo erro... Lendo isso, parece fácil e soa tão bonito, mas na prática, na vida real, dói, machuca e angustia. Decepções não matam, mas ensinam a viver – é um clichê, mas só virou clichê, porque para virar clichê, tem que dar certo. Sofremos com as perdas, as faltas, os machucados. Porém, é isso que faz o mundo girar. Nem só de finais felizes a vida é feita. Talvez os coadjuvantes entrem em nossa vida para nos ensinar alguma coisa, antes de sermos felizes com os protagonistas de nossa historia.

[publicado originalmente no chiclé clichê em 07/09/09.]

sábado, 24 de abril de 2010

pode emoldurar?

navegando no acasos afortunados, fui brindado com um trecho que merece ser colocado nos textos para a vida.

O bom encontro é de dois...

"[...] O bom encontro é de dois, porque quando você caminha os passos do outro, aquilo que era pra ser um encontro deixa de ser encontro e passa a ser perseguição. Por mais que a gente queira, deseje, ame, pra que seja de verdade é preciso que o outro também venha...

É dar os nossos passos que nos cabem e esperar que o outro dê os passos que lhe cabem, em retorno. É fazer a nossa parte e esperar que a outra pessoa faça a parte dela, de volta. Mas nem sempre é assim...

Texto bobo. Mas é que a gente sofre quando tem as expectativas devastadas... Todo mundo sofre. Acho que o mais difícil é asumir nosso sofrimento com dignidade e reaprender a continuar da melhor forma que puder. Sem se desrespeitar, se humilhar ou perder o amor-próprio... sei lá. [...]"

domingo, 14 de março de 2010

Aos apaixonados - Rubem Alves

Quero compartilhar essa excelente crônica do Rubem Alves. Para quem tem medo de relacionamentos, vale a leitura. Para quem não tem, também.

Aos apaixonados - Rubem Alves

Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo sabendo que servirá para nada. É inútil falar aos apaixonados. Os apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da razão. Escuta mas não acredita. Diz: "O meu caso é diferente!" Tolo mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados.

Começo minha inútil meditação com um verso terrível de T. S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: "...e livra-me da dor da paixão não satisfeita, e da dor muito maior da paixão satisfeita".

Todo mundo sabe que a paixão não satisfeita dói. Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é um desejo de posse que, para existir, não pode se realizar. Como a fome: depois do almoço a fome acaba...

Paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, o objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade. Saudade tem cura. A saudade é curada quando o objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão. Cassiano Ricardo sabia disso e escreveu:

"Por que tenho saudade
de você, no retrato, ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato,
mais que você, me comove, se você mesma está presente?"

Que coisa mais esquisita! Como pode ser isso? Como pode se sentir saudade de algo que está presente? A resposta é simples: a gente sente saudade de uma pessoa presente quando ela está se despedindo. Cecília Meireles, desenhando sua avó morta, a quem ela muito amava, disse: "Tu eras uma ausência que se demorava; uma despedida pronta a cumprir-se." Dirão: "É natural. A avó já era velhinha..." É verdade. Mas o que caracteriza o olhar apaixonado é que ele percebe, no rosto da pessoa amada, essa ausência que se anuncia e essa despedida pronta a cumprir-se. O apaixonado pensa que sua paixão tem a ver com o objeto. Ele não sabe que foi o seu olhar que o tornou encantado. Os poetas são pessoas apaixonadas pela vida. E a sua paixão faz com que ela, a vida, apareça sempre banhada por uma luz crepuscular. Rilke perguntava, sem esperanças de resposta: "Quem foi que assim nos fascinou para que tivéssemos um ar de despedida em tudo que fazemos?" É o olhar da pessoa apaixonada que cria a imagem do objeto da paixão. É sobre Cecília Meireles que o Drummond escreve. Mas sua descrição, eu creio, se aplicaria a todos os objetos da paixão:

Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos. Distância, exílio e viagem transpareciam no sorriso benevolente... que confirmava a irrealidade do indivíduo.

A dor da paixão não satisfeita é essa: o apaixonado deseja possuir o objeto do seu amor, mas ele escapa sempre. Por isso ele sofre. Movido pela dor, quer possuí-lo. Não sabe que, para que sua paixão continue a existir, é preciso que ele continue escapando sempre. A paixão só ama objetos livres como os pássaros em vôo.

"...e da dor muito maior da paixão satisfeita".

A dor da paixão não satisfeita é iluminada por uma alegria. O apaixonado vive na presença de que um dia ele possuirá o objeto da sua paixão. Mas a "dor muito maior" da paixão satisfeita não tem mais esperanças. O objeto se desfez. Ela vive na tristeza do objeto perdido.

Escrevi uma estória sobre isso. A Menina era apaixonada pelo Pássaro Encantado. Mas ela sofria porque o Pássaro era livre. O Pássaro Encantado era sempre uma ausência que se demorava, uma despedida pronta a cumprir-se. O Pássaro lhe disse que era preciso que fosse assim, para que eles continuassem apaixonados. Ele sabia que a paixão ama pássaros em vôo. Mas a Menina não acreditou. Prendeu-o numa gaiola.

Gaiola? Há as feitas com ferro e cadeados. Mas as mais sutis são feitas com desejos.

Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca. Nela se encontram as estórias que amamos. Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, O paciente inglês, As pontes de Madison, Amor nos tempos do cólera, A menina e o pássaro encantado. As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo. Delas, escolhemos uma. É a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso Pássaro. Quando imaginamos havê-lo encontrado – que felicidade! Ficará feliz em nossa gaiola. Será o amante da nossa estória de amor: eu para você, você para mim... Nós o colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.

Acontece que o Pássaro também tinha a sua estória. E era outra. Todo Pássaro deseja voar. Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro. E, de repente, ele se transforma. Não mais o reconhecemos. É um outro. Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.

Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima. A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas. O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno... Não admira que Sartre tenha dito que "o inferno é o outro".

Não haverá uma saída. Lembro-me de um pequeno poema de Pearls que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas:

Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender
às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender
às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos,
é muito bom.

Rubem Alves, O amor que acende a lua, 1999.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Obcecado, eu?

Uma amiga leitora me escreveu dizendo que a minha obsessão por relacionamentos, que atravessa grande parte dos posts desse blog, a irrita. E de fato essa obsessão me intriga há muito. Talvez hoje eu deva falar de mim. Ou seria da minha obsessão?

Não sei quando, nem como ela começou. Pode ter sido no jardim da infância quando as professoras contavam as lindas (ou, por terem deixados marcas profundas, seriam elas terríveis?) histórias dos contos de fadas. Ou foi na adolescência em que eu ouvi muita música pop que cantava o amor idealizado? Talvez tenha sido na adolescência quando alugava de três a quatro comédias românticas, e esse era o meu final de semana.

É tanta teoria que impede a prática de ser vivida. A idealização de alguém que virá para completar o que supostamente está faltando só acaba com uma possível vida amorosa por vir. Lembro de uma frase de Samantha Jones, Sex and the City, que ela disse que mesmo estando com um homem, ela se sente sozinha. Buscar alguém para tapar um buraco, é só se deparar mais ainda com ele, uma vez que ninguém o tapará, nos completando dessa forma. Metade da laranja só funciona com laranja. Além disso, ficar procurando o tempo inteiro a alma gêmea é uma das maiores furadas em que podemos nos meter.

Outro erro é o de achar que se a nossa vida amorosa estiver bem, tudo estará. Isso veio de Will and Grace, em uma cena que eles analisam os diversos aspectos da vida e todos estavam muito bem, obrigado. Exceto a vida amorosa, o que os fez proferir uma enganosa frase: Se a vida amorosa não está bem, a vida não está bem. Ter amigos, realizar-se no trabalho, ter uma família, e ter uma saúde boa não contam na multiplicação cujo resultado é a felicidade. A ausência do amor implica na presença do número zero, o que anula toda multiplicação, nos condenando à infelicidade?

Por mais que o tema me intrigue, não existe receita para encontrar um amor. Muito menos, a nossa felicidade deve ser depositada única e exclusivamente em cima de uma pessoa. Talvez tudo o que eu tenha escrito sobre o amor é pura bobagem, pura besteira... Mas lembro-me de uma frase do Norman Mailer, usada pela Martha em uma de suas crônicas, "As pessoas procuram o amor como solução para seus problemas, quando o amor é a recompensa por você ter resolvido seus problemas”. Alguém tem o telefone de um bom analista?

oPS: vou tentar parar de falar somente sobre relacionamentos. (:

sábado, 16 de janeiro de 2010

medos

querer o sim e não se acostumar
com a solidão, o medo de amar
(Vem pra cá - Papas da Língua)
Assisti ao filme 500 dias com ela, um filme perfeito, excelente para pensar em várias coisas sobre o amor. Summer, a protagonista do filme, não acreditava em amor, enquanto que Tom cresceu acreditando desde cedo que existe “a” pessoa. A história é uma história, com momentos alegres e momentos tristes. Além disso, há algo que aparece no filme, e é muito presente na nossa realidade: o medo de se machucar.

Amar alguém pressupõe entrega. Às vezes, nos consideramos muitos valiosos para sermos entregues alguém. Às vezes, temos tanto medo de se machucar que não nos entregamos. Algumas vezes pode ser puro drama, outras vezes pode ter até ter fundamento. Lembrei da história de uma conhecida que conheceu um cara, começou a sair com ele, tava se divertindo, curtindo bons momentos. Porém, chegou um ponto em que ela não sabia o que fazer, pois por mais que o cara estivesse sendo legal, ela não queria se envolver porque ela sabia que ia se machucar. Sendo assim, sempre nos machucaremos? Obviamente que não, mas temos horror a isso.

No campo afetivo, temos dois medos que convivem conjuntamente na vida de uma pessoa: o medo de ficar só e o medo de se machucar. O primeiro nem precisa de explicação. O ser humano nasceu graças à sociabilidade, cresce dentro de um meio social, aprende a ter necessidades que foram construídas socialmente. Já o medo de se machucar aparece o tempo inteiro em pessoas que insistem em se manter solteiras. A sua forma de relacionar-se apresenta pontos limites, em que chega um momento em que eles decidem cair fora, porque cair dentro é equivalente a despencar de um precipício.

E se nos machucarmos, podemos seguir em frente? Mesmo com tantas decepções, possuímos forças para se apaixonar novamente? E é possível dar uma segunda chance a alguém que nos fez chorar tanto? Perguntas... Infelizmente não existem respostas prontas para essas perguntas. Respostas que se encontram no coração. Tudo é uma questão de seguir o que se sente e ir pelo caminho que isso indica.

Parabéns ao filme que mostra que mesmo ao se machucar não devemos perder a fé no amor.

sábado, 9 de janeiro de 2010

pegando o andar da fila

E, aí, meu, quantas minas tu pegou ontem?”Sinto uma ligeira incomodação ao ouvir a palavra pegar. Quem fala, nem se dá conta do que está falando. De uso corriqueiro e habitual, pegar é proferida o tempo inteiro.

O que ela esconde por trás? A idéia de que somos objetos para sermos pegados, usados e largados. Simples assim: me pega, me usa e me abusa. Ela encontra suporte nas raízes do machismo, em que a mulher nada mais é que um objeto a serviço do homem. Quem pega é o homem. Mulher não pega, mulher é pegada.

Algumas pessoas podem ter até uma certa facilidade de pegar e não se apegar. Porém, cedo ou tarde, uma hora acontece, essas pessoas vão se apegar. Apegar entra aqui como desenvolver algum tipo de afeto por outrem. Afeto este que não se desenvolve só com um mero pegar.

Parece que o pegar encontra ecos em outra frase muito utilizado também: A fila anda. Vem rolo, vai rolo e a fila anda. Não sei se alguém parou para pensar no significado dessa frase, mas ela dá a idéia de que somos uma máquina. Você escolhe uma opção, obtém a prestação de serviço, e voilá próximo da fila!

São palavras e frases que dizem muito da forma de relacionar-se na contemporaneidade. Tudo tem de ser rápido, com o máximo de eficácia (leia-se prazer), e de olho no próximo investimento. Ninguém está interessado em desenvolver algo mais forte, digno de ser chamado de amor. Tudo fica no plano da paixão.

Aí alguém levanta e grita: é, mas as avós de outrora tiveram de pagar um preço chamado de silencio muitas vezes para manter seus casamentos. Não defendo que isso seja bom, nem que a forma de se relacionar atual é ruim. Formas de existir, precisamos encontrar a nossa. Coloco fé nem em um extremo, nem em outro. Sempre tentando alcançar o meio termo – tarefa árdua.