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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
sexta-feira a tarde.
livros espalhados pela mesa. todos técnicos. e aquela vontade imensa de ler livros que trouxessem o que tanto prescindia. há muito tempo perdeu o contato com a poesia. e sente falta, tanta. mas prossegue: ouvindo alanis, saia espalhada pela superfície do chão, deitada e refletindo sobre a vida e sobre o que é viver. unha descascada, não ligando para comentários de puta pobre. na boca, aquele hálito de café. recem havia tomado um, ainda que fosse seis horas da tarde, e segundo recomendações dos médicos, ingerir café após esse horário provoca insônia. não interessa, nem importa. na gaveta, rivotril, juntamente com seu habitual prozac. dormir não seria seu problema hoje. ainda mais que havia combinado de sair com suas amigas, e depois nada mais saberia. encontraria paulo, mas não sabia o que realmente estava sentindo e se essa era sua vontade. desejo, necessidade.... amor, falta dele! e um vazio imenso... que não mais angustia como outrora angustiou. coisas não resolvidas, palavras por dizer, amores por viver. ela percebia e sentia tudo, e não sentia mais a necessidade de contar para um terceiro. afinal,
domingo, 19 de setembro de 2010
uma mão na cintura.
porque de repente me deu vontade de dizer não. e deu vontade de dizer sim. me embaralhei como tivesse que ser só uma coisa, mas não. tenho em mim um mundo inteiro. de amores e dissabores. que resultam nessa amargura. quisera eu poder te dizer tudo o que eu sei. e extrair toda essa raiva do meu coração, batendo-te na cara. mas me recuso a fazer isso. pois sei que a vida vai te dar os tapas que tanto desejo dar, sem que seja necessária a minha intervenção para esse fato acontecer.
e sei que para que tu um dia me encontres, se assim o desejar, é necessário todo um processo para chegar ao momento em que possivelmente nós dois nos uniremos. mas sigo. caminhando. não mais com aquela pressa que me era característica; porque cansei. vieram, me pegaram, me deixaram, me abandonaram. depois me tocaram. me senti viva. tanta frieza nesse cotidiano que uma simples mão na minha cintura foi capaz de despertar o que estava reprimido nas profundezas. e me deu vontade de tentar tudo novamente. entregar-se como nunca fiz antes. mas não foi só uma mão na cintura.
e sei que para que tu um dia me encontres, se assim o desejar, é necessário todo um processo para chegar ao momento em que possivelmente nós dois nos uniremos. mas sigo. caminhando. não mais com aquela pressa que me era característica; porque cansei. vieram, me pegaram, me deixaram, me abandonaram. depois me tocaram. me senti viva. tanta frieza nesse cotidiano que uma simples mão na minha cintura foi capaz de despertar o que estava reprimido nas profundezas. e me deu vontade de tentar tudo novamente. entregar-se como nunca fiz antes. mas não foi só uma mão na cintura.
sexta-feira, 19 de março de 2010
revisitando-me.
Esses dias fui procurar alguns escritos antigos, e me deparei com esse. Escrito nos idos 2006. Achei no mínimo engraçado.
Uma história tão bobinha, mas tão leve. Que deu saudade. Daquele bobinho que nada sabia dessa coisa louca que a gente nomeia de vida.
Sara era uma garota de 16 anos que como toda brasileira não tinha nada para fazer no domingo. Decidiu ir ao clube. Foi até o guarda-roupas, e pegou o último biquini que havia comprado. Logo depois, pegou um dinheiro e partiu em direção ao clube.
Chegando lá viu que tinham instalado uma rampa para as pessoas escorregarem e depois caírem na água. Procurou um lugar para deixar suas coisas e foi para a água. Foi uma vez na dita rampa e gostou. Não deu outra: continuou a brincar na rampa sem parar.
Depois que ficou enjoada de subir as escadas e escorregar decidiu ir tomar um pouco de sol, pois, como qualquer mulher pensa, aquela marquinha de biquini daria aquela inveja nas amigas.
Passou o bronzeador, deitou-se no sol e lá ficou torrando. Às vezes, ela se virava para bronzear ambos os lados do corpo. Numa dessas trocas de lado chegou um rapaz de 20 e poucos anos. Sara ficou tão encantada com o rosto, com o jeito de falar, com a boca, com a barba por fazer do rapaz que nem prestou atenção no que ele dizia. Enquanto ele falava, ela sentia que tinha conhecido sua alma gêmea. O rapaz com o corpo perto do seu deu-lhe uma sensação de paz enorme. O rapaz se retirou e Sara acordou do encanto. Conhecera sua alma gêmea e foi tão rápido que nem ao menos tinha prestado atenção no que ele dissera, ela tinha a certeza de que ele fizera um convite mas que tipo de convite?Sara pegou suas coisas e saiu decidida a procurar pelo rapaz!
Uma história tão bobinha, mas tão leve. Que deu saudade. Daquele bobinho que nada sabia dessa coisa louca que a gente nomeia de vida.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Ela e as outras.
Ela. Portadora de um grande senso de humor, inteligente, simpática, sociável e digna de se ter uma amizade. Um porém: encalhada. Sua vida só não é uma piada porque só seria cômica, se não fosse trágica. “Não quero me amarrar”, “Só quero me dedicar aos estudos”e “Adoro minhas amigas” sempre surgem em sua fala na vida cotidiana. Três fases que dizem muito: seu horror a compromissos, a consciência de que não precisa do príncipe encantado para se divertir, além de seus vários projetos na vida profissional. Se ela não pensa em compromissos, sua mãe não vê a hora em que a filha se aquiete, crie juízo e seja igual a todas as outras.
As outras. Aquelas que, ao escolherem o amor e a dedicação, tiveram como destino pilotar fogões, planejando a rotina da casa dia por dia, criando filho por filho. E, para o kit ficar completo, aguentando aquele, sim, aquele a quem elas juraram compromisso até a hora da morte.
Ela. Numa corrida desesperada atrás de si, acabou se descobrindo. Sua personalidade, suas características, suas qualidades e seus defeitos. Conhecer quem ela era garantiu-lhe saber até onde e o quão fundo poderia pisar. Então, com medo de se machucar, entregou-se totalmente raras vezes. Mal conhecia e já pulava fora, tamanho o medo de decepções futuras. Ela não sabia que a vida era isso mesmo, e só vence quem não se deixa abalar por elas. Sua vida tinha um colorido especial, mas ela não sabia do colorido que poderia ter. O tom azul céu às vezes aparecia. Era necessário mais rosa, mais vermelho. Mas o medo existia. Ela nem sabia, não tinha ciência da razão pela qual não havia se entregue ao amor ainda.
As outras queria sua independência e sua autonomia. Ela, a solteirona, devassa, pecadora... Ela que só queria saber de curtir a vida. Simplesmente viver, sem ligar para conseqüências. Conseqüências que as outras amarguravam até hoje. Em nome do amor pelo amado e pelos filhos, as outras se esqueceram de lembrar-se um pouco de si. Entretanto, sua vida tem outro colorido. O do afeto, preenchido por outrens, seja com amor, seja com dor.
Ela, aquela, enquanto isso, devido ao tempo que tem disponível, preenche com o que a diverte: arte, festas, amigas e uns pretendentes de vez em quando. Ela que deitava a cabeça e sentia que não era de ninguém, além de si mesma. E sentia um vazio e morria de inveja das outras, deitadas e acompanhadas. Ela que desfilava, jogando na cara sua total liberdade. Ela que não sabia que havia uma parte em si que só desejava ser amada.
Ela e as outras. Cada uma vivendo em seu mundo. Cada uma com suas escolhas. Cada uma pagando seu preço. Cada uma pagando com a sua moeda.
As outras. Aquelas que, ao escolherem o amor e a dedicação, tiveram como destino pilotar fogões, planejando a rotina da casa dia por dia, criando filho por filho. E, para o kit ficar completo, aguentando aquele, sim, aquele a quem elas juraram compromisso até a hora da morte.
Ela. Numa corrida desesperada atrás de si, acabou se descobrindo. Sua personalidade, suas características, suas qualidades e seus defeitos. Conhecer quem ela era garantiu-lhe saber até onde e o quão fundo poderia pisar. Então, com medo de se machucar, entregou-se totalmente raras vezes. Mal conhecia e já pulava fora, tamanho o medo de decepções futuras. Ela não sabia que a vida era isso mesmo, e só vence quem não se deixa abalar por elas. Sua vida tinha um colorido especial, mas ela não sabia do colorido que poderia ter. O tom azul céu às vezes aparecia. Era necessário mais rosa, mais vermelho. Mas o medo existia. Ela nem sabia, não tinha ciência da razão pela qual não havia se entregue ao amor ainda.
As outras queria sua independência e sua autonomia. Ela, a solteirona, devassa, pecadora... Ela que só queria saber de curtir a vida. Simplesmente viver, sem ligar para conseqüências. Conseqüências que as outras amarguravam até hoje. Em nome do amor pelo amado e pelos filhos, as outras se esqueceram de lembrar-se um pouco de si. Entretanto, sua vida tem outro colorido. O do afeto, preenchido por outrens, seja com amor, seja com dor.
Ela, aquela, enquanto isso, devido ao tempo que tem disponível, preenche com o que a diverte: arte, festas, amigas e uns pretendentes de vez em quando. Ela que deitava a cabeça e sentia que não era de ninguém, além de si mesma. E sentia um vazio e morria de inveja das outras, deitadas e acompanhadas. Ela que desfilava, jogando na cara sua total liberdade. Ela que não sabia que havia uma parte em si que só desejava ser amada.
Ela e as outras. Cada uma vivendo em seu mundo. Cada uma com suas escolhas. Cada uma pagando seu preço. Cada uma pagando com a sua moeda.
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a quem interessar possa, habilitei os comentários para quem tem conta google. o comentário de vocês me interessa muito sim. tá?
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Um ano depois de um amor no verão

E eu, volto aqui, um ano depois para falar ainda sobre o status daquela menina. Aquela que contei a história no Chicle Clichê. O quanto uma pessoa muda depois de um ano? Ou melhor, o quanto traumatizada uma pessoa pode ficar após um ano? E pior, um simples acontecimento pode causar um trauma tão grande? Para essa menina, que se queixa até hoje, são questões que a atormentam. É, minha cara, não desista de tentar, embora já saiba o quão difícil são as coisas. Que o medo de ficar sozinha, não te faça se afastar das pessoas. Não me pergunta se vale a pena seguir em frente, mesmo sabendo que um dia as coisas possam vir a acabar. A vida é isso. E, sim, tu sabes que tem que começar a entender que por mais que uma história tenha tido um desfecho triste não significa que ela não tenha valido a pena. Esse teu coração anda agoniado, com medo, mas um dia ele vai ter as respostas para essas perguntas que o mobilizam. Tudo a seu tempo. Não na velocidade que a gente deseja, mas na velocidade que as coisas devem ser. Ah, antes que eu me esqueça, não é construindo muros que tu não vais se machucar. Isso só vai afastar as pessoas, e, consequentemente, não te fará viver uma vida que tenha valido a pena.
Para ouvir lendo:
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Vem de dentro, sai para fora
Chegou, cumprimentou e correu para o divã. Desatou a falar, com um desespero que lhe era habitual:
- Seguinte, acho que hoje é nossa última sessão. Decidi me mudar. Não sei para onde, até porque não tenho nenhum lugar para me ancorar, mas tenho pensando em São Paulo. Cidade mexe com a cabeça da gente. Deixa a gente de um jeito louco. Melhor, permite a gente ser insano sem ter problema algum com isso. Porquê de eu ter tomado essa decisão? Cansei, cansei dessa cidade. Tudo o que eu tinha para descobrir, eu já descobri. Eu quero viver de novo aquelas sensações de descobrir um mundo que se oferece ali, bem embaixo do meu nariz. Cansei de ir às mesmas festas, ver as mesmas pessoas e ter as mesmas sensações. Faz tempo que não chego em casa eufórica. Rindo e chocada, ao mesmo tempo, com os acontecimentos da festa. Não quero ficar eufórica, e achando tudo lindo e maravilho. Nunca tive essa pretensão, nem quero ter. Mas queria ficar com aquela sensação.
Como assim, não adianta eu fugir que todos esses fantasmas vão fugir comigo?! Grande merda, se for assim. Vou ir pra São Paulo, e depois quererei ir para New York, Paris. E de galho em galho, eu vou pular. Triste vai ser quando eu chegar à velhice, e me dar conta de que não terei me fixado em nenhum lugar. Em compensação, terei vivido intensamente, se é que assim posso dizer. Sim, é meu jeito de ser assim. Conquistar coisas não é problema para mim, difícil é manter. Custa-me um preço muito caro manter as coisas. Eu entendo que é preciso perder um pouco da liberdade e se apegar às coisas. Viver é isso. Ir fazendo concessões o tempo inteiro. Em nome dos sentimentos ir se sacrificando. Tem coisa mais louca que isso? Daqui um pouco eu vou esquecer de mim, por conta de um terceiro. Mas, o preço é alto. Para que mandar alguma coisa ao concerto, quando eu posso muito bem comprar um novo?
É, infelizmente, não poderei nascer novamente, mas quem sabe eu possa me reinventar? Tava pensando em cortar o cabelo. Comprar umas roupas novas. Dar um alô pro Guilherme, e parar de escapar como uma ex-presidiária dele. Quem sabe pinta um rolo, e volta o colorido. Não sei. Talvez eu possa fazer um curso de fotografia, ou de culinária. Eu deveria mesmo é cuidar desse corpo, mas tenho horror à ideia de ir à academia. Talvez isso seja outra coisa que deva mudar.
Sim, sim, nos vemos na próxima sessão – e sorriu.
- Seguinte, acho que hoje é nossa última sessão. Decidi me mudar. Não sei para onde, até porque não tenho nenhum lugar para me ancorar, mas tenho pensando em São Paulo. Cidade mexe com a cabeça da gente. Deixa a gente de um jeito louco. Melhor, permite a gente ser insano sem ter problema algum com isso. Porquê de eu ter tomado essa decisão? Cansei, cansei dessa cidade. Tudo o que eu tinha para descobrir, eu já descobri. Eu quero viver de novo aquelas sensações de descobrir um mundo que se oferece ali, bem embaixo do meu nariz. Cansei de ir às mesmas festas, ver as mesmas pessoas e ter as mesmas sensações. Faz tempo que não chego em casa eufórica. Rindo e chocada, ao mesmo tempo, com os acontecimentos da festa. Não quero ficar eufórica, e achando tudo lindo e maravilho. Nunca tive essa pretensão, nem quero ter. Mas queria ficar com aquela sensação.
Como assim, não adianta eu fugir que todos esses fantasmas vão fugir comigo?! Grande merda, se for assim. Vou ir pra São Paulo, e depois quererei ir para New York, Paris. E de galho em galho, eu vou pular. Triste vai ser quando eu chegar à velhice, e me dar conta de que não terei me fixado em nenhum lugar. Em compensação, terei vivido intensamente, se é que assim posso dizer. Sim, é meu jeito de ser assim. Conquistar coisas não é problema para mim, difícil é manter. Custa-me um preço muito caro manter as coisas. Eu entendo que é preciso perder um pouco da liberdade e se apegar às coisas. Viver é isso. Ir fazendo concessões o tempo inteiro. Em nome dos sentimentos ir se sacrificando. Tem coisa mais louca que isso? Daqui um pouco eu vou esquecer de mim, por conta de um terceiro. Mas, o preço é alto. Para que mandar alguma coisa ao concerto, quando eu posso muito bem comprar um novo?
É, infelizmente, não poderei nascer novamente, mas quem sabe eu possa me reinventar? Tava pensando em cortar o cabelo. Comprar umas roupas novas. Dar um alô pro Guilherme, e parar de escapar como uma ex-presidiária dele. Quem sabe pinta um rolo, e volta o colorido. Não sei. Talvez eu possa fazer um curso de fotografia, ou de culinária. Eu deveria mesmo é cuidar desse corpo, mas tenho horror à ideia de ir à academia. Talvez isso seja outra coisa que deva mudar.
Sim, sim, nos vemos na próxima sessão – e sorriu.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Oxigênio, amigos, dinheiro e carinho
Querido Renato,
Estou te escrevendo porque sei que tu me compreendes bem, tanto quanto um analista, mas não cobra para tanto. Ultimamente tenho sentido tantas necessidades.
Ando precisando de oxigênio. Tô meio sufocada, sabe. Viver sufoca a gente. Dizem que a intensidade da tua vida é medida pela quantidade de vezes que te faltou o ar. A minha deve estar sendo bem intensa. Me acordo no meio da noite, com uma falta de ar. Vou ser asfixiada por alguns amores, mas acho que mais pelas dores e assemelhados. Talvez tudo seja uma puta besteira e eu seja uma típica rainha do drama. Mas vem cá, por ser drama, não tem fundamento?
Tô precisando de amigos também, Renato. Do tipo da nossa amizade, parceria mesmo. Seja pra ficar discutindo essa coisa louca que é viver, seja pra ir em qualquer bar beber, ou até mesmo pra ir vezenquando nas nossas dançantes noites. Com qualquer grupo de amigos, me sinto deslocada. As gurias tu sabes como andam: só sabem falar sobre roupas & grifes, e sobre a dificuldade de manter essas compras. Às vezes, falam sobre homens. E como tu bem, sabes, ando tão complexada que prefiro nem tocar nesses assuntos. Tem a galera lá do trabalho também, mas não me sinto confortável. Sou falha, e não perfeita. E aquilo, vira uma guerra fria, que socorro!
E dinheiro... Esse desgraçado que destrói tantas coisas. Destrói quando tu não o tem para poder construir. A gente vai sobrevivendo mês a mês. Quando dá, faz uns bicos para ter um pouquinho a mais no final do mês. Queria tanto dar uma ajeitada aqui em casa, decorar mais e melhor, comprar umas roupas novas e uns livros. Queria viajar também, tô precisando sair de mim mesma, me permitir cometer essas loucurazinhas que a gente só se permite se estiver em viagem. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto. E isso é o que tô precisando agora. Às vezes, me permito uns luxozinhos básicos. Ontem mesmo tomei uma garrafa de Chardonnay, mas, por conta disso, nem almocei. Louca e insana, essa tua amiga.
Sem dinheiro, sem amor: totalmente fudida, cara. Não tem noção do quanto tô precisando de carinho. Sexo a gente faz, e faz muito bem. Quando quer, com quem quiser. O problema é quando a gente acorda no outro dia, e dá aquela vontade de ficar conversando sobre as coisas da vida, mas tu sabes como é. Não rola. Quase sempre me sinto meio carente, meio doente por um afago do tipo de mãe quando cuida da gente. E é difícil de encontrar uma mão que acaricia. Geralmente, elas vem curtas, rápidas e pesadas como um tapa.
Te disse né? Preciso de oxigênio, preciso ter amigos, preciso ter dinheiro, preciso de carinho. Me escreve que muito preciso das tuas palavras.
Sempre tua,
Estou te escrevendo porque sei que tu me compreendes bem, tanto quanto um analista, mas não cobra para tanto. Ultimamente tenho sentido tantas necessidades.
Ando precisando de oxigênio. Tô meio sufocada, sabe. Viver sufoca a gente. Dizem que a intensidade da tua vida é medida pela quantidade de vezes que te faltou o ar. A minha deve estar sendo bem intensa. Me acordo no meio da noite, com uma falta de ar. Vou ser asfixiada por alguns amores, mas acho que mais pelas dores e assemelhados. Talvez tudo seja uma puta besteira e eu seja uma típica rainha do drama. Mas vem cá, por ser drama, não tem fundamento?
Tô precisando de amigos também, Renato. Do tipo da nossa amizade, parceria mesmo. Seja pra ficar discutindo essa coisa louca que é viver, seja pra ir em qualquer bar beber, ou até mesmo pra ir vezenquando nas nossas dançantes noites. Com qualquer grupo de amigos, me sinto deslocada. As gurias tu sabes como andam: só sabem falar sobre roupas & grifes, e sobre a dificuldade de manter essas compras. Às vezes, falam sobre homens. E como tu bem, sabes, ando tão complexada que prefiro nem tocar nesses assuntos. Tem a galera lá do trabalho também, mas não me sinto confortável. Sou falha, e não perfeita. E aquilo, vira uma guerra fria, que socorro!
E dinheiro... Esse desgraçado que destrói tantas coisas. Destrói quando tu não o tem para poder construir. A gente vai sobrevivendo mês a mês. Quando dá, faz uns bicos para ter um pouquinho a mais no final do mês. Queria tanto dar uma ajeitada aqui em casa, decorar mais e melhor, comprar umas roupas novas e uns livros. Queria viajar também, tô precisando sair de mim mesma, me permitir cometer essas loucurazinhas que a gente só se permite se estiver em viagem. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto. E isso é o que tô precisando agora. Às vezes, me permito uns luxozinhos básicos. Ontem mesmo tomei uma garrafa de Chardonnay, mas, por conta disso, nem almocei. Louca e insana, essa tua amiga.
Sem dinheiro, sem amor: totalmente fudida, cara. Não tem noção do quanto tô precisando de carinho. Sexo a gente faz, e faz muito bem. Quando quer, com quem quiser. O problema é quando a gente acorda no outro dia, e dá aquela vontade de ficar conversando sobre as coisas da vida, mas tu sabes como é. Não rola. Quase sempre me sinto meio carente, meio doente por um afago do tipo de mãe quando cuida da gente. E é difícil de encontrar uma mão que acaricia. Geralmente, elas vem curtas, rápidas e pesadas como um tapa.
Te disse né? Preciso de oxigênio, preciso ter amigos, preciso ter dinheiro, preciso de carinho. Me escreve que muito preciso das tuas palavras.
Sempre tua,
Maria Clara.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A mulher ruiva
A mulher ruiva é complexa. Se ela não nasceu com o cabelo vermelho, ela pinta. Pinta para mostrar fora o que tem dentro dela: um vulcão em erupção. Pronto para explodir. Pronto para dizer que dentro desse corpo bate forte um coração. A mulher ruiva tem dentro de si um pouco do mundo. Tem angustia, decepções, sonhos, amores, dores.
A mulher ruiva é determinada. Luta pelo que quer, independentemente do que vier. Sendo desse jeito, é óbvio que assusta os homens. Só sendo muito macho para agüentar a mulher ruiva. Para agüentar uma mulher de peito. Que preenche seu tempo livre com arte, literatura, exposições, cinema, música. Todas essas coisas que só reforçam seu estilo de ser, e que só mantém o fogo aceso.
A mulher ruiva acredita em príncipes encantados. Embora saiba que vive na realidade, e ele não pulará dos livros. Sabe que sua vida amorosa não é um conto de fadas. Pode ou não saber que, em partes, é sua culpa. Ela não deixou ninguém interferir em sua vida. Não abriu mão de nada por ninguém. O amor só sobrevive à base de concessões. E isso ela esqueceu de aprender.
Enquanto a morena é para casar, tantas decepções amorosas fazem parte do currículo da mulher ruiva que ela não sabe se o casamento foi feito para ela. Enquanto a loira faz as cabeças dos homens, a mulher ruiva faz questão de não ser somente um casinho passageiro na vida desses canalhas. A mulher ruiva só está sozinha por ser exigente demais. Está sozinha porque descobriu em si sua melhor companhia.
A mulher ruiva é como um palito de fósforo. Se você quiser, ele pode criar fogo. Se você quiser, ela pode queimar tudo. No fundo, ela é só uma menininha frágil que tenta se proteger de tudo. Tão frágil e com tanto medo de se quebrar que ela se tornou ruiva. A mulher ruiva não é só a cor de seu cabelo, é um estado de espírito. Ela é você. Ela sou eu. Existem várias espalhadas por aí.
A mulher ruiva é determinada. Luta pelo que quer, independentemente do que vier. Sendo desse jeito, é óbvio que assusta os homens. Só sendo muito macho para agüentar a mulher ruiva. Para agüentar uma mulher de peito. Que preenche seu tempo livre com arte, literatura, exposições, cinema, música. Todas essas coisas que só reforçam seu estilo de ser, e que só mantém o fogo aceso.
A mulher ruiva acredita em príncipes encantados. Embora saiba que vive na realidade, e ele não pulará dos livros. Sabe que sua vida amorosa não é um conto de fadas. Pode ou não saber que, em partes, é sua culpa. Ela não deixou ninguém interferir em sua vida. Não abriu mão de nada por ninguém. O amor só sobrevive à base de concessões. E isso ela esqueceu de aprender.
Enquanto a morena é para casar, tantas decepções amorosas fazem parte do currículo da mulher ruiva que ela não sabe se o casamento foi feito para ela. Enquanto a loira faz as cabeças dos homens, a mulher ruiva faz questão de não ser somente um casinho passageiro na vida desses canalhas. A mulher ruiva só está sozinha por ser exigente demais. Está sozinha porque descobriu em si sua melhor companhia.
A mulher ruiva é como um palito de fósforo. Se você quiser, ele pode criar fogo. Se você quiser, ela pode queimar tudo. No fundo, ela é só uma menininha frágil que tenta se proteger de tudo. Tão frágil e com tanto medo de se quebrar que ela se tornou ruiva. A mulher ruiva não é só a cor de seu cabelo, é um estado de espírito. Ela é você. Ela sou eu. Existem várias espalhadas por aí.
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